Sobre o autor

Conheça Thêmis

Mas... 

Tomé: não sabendo seu paradeiro, lancei estas palavras ao vento 

na esperança de que ele as deposite em seu coração. Meu amigo, 

essa vai para você onde quer que esteja, espero que com saúde e 

muitos sonhos de barão. 

 

Eu tenho um nome, né!? 

Eu me chamo Tomé, 

mas tenho muita fé. 

 

Sou pequeno ainda, 

mas quando crescer 

vou ser barão como você. 

Mas só preciso que me dê 

o que comer... 

 

Eu tenho um nome! 

e muita, muita fome, 

mas não tenho sobrenome. 

Nem sei quem foi o homem... 

Mas só preciso que me tomem 

como um amigo, é isso aí! 

 

Moro aqui, ali... 

Moro onde ninguém quer morar, 

mas é o único lugar 

em que me deixam ficar, 

moro com a lua, na rua. 

 

Mas não faz mal! 

Vou crescer, 

vou ficar bem. 

Vou ser alguém. 

Talvez até Tomé de tal. 

 

Ô moço! Eu só preciso mesmo é comer, 

senão, não vou crescer 

e posso até morrer! 

Quem sou eu, seu doutor? 

Eu sou o Tomé! 

E vivo no seu pé, 

mas é porque sinto minha barriga doer, 

mas porque não tenho o que comer. 

 

Mas meu nome é Tomé1

 

e tenho muita fé, 

mas preciso comer, né?! 

 


 

1. Tomé, menino de rua, de nove anos de idade, franzino e faminto, mas muito esperançoso. Durante o ano de 1978 comemos muitas pizzas juntos na 203/Sul/BsB.