Sobre o autor

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Feixe ambulante 

 A Goethe 

 

Moram em mim não duas, mas muitas almas. 

O que Goethe diria disso? Sou uma unidade, mas 

tão abstrata que, às vezes, me vejo 

abrigando uma assembléia de meus condôminos anímicos. Cortejo 

sou das muitas possibilidades que trago em peito. 

 

Assim sou feito! 

 

Do samba à opera, do positivo ao natural, 

do devoto de S. Antônio ao agnóstico, 

da zorra, do bacanal ao retiro espiritual, 

nada me fecha, nada unifica-me. Meu diagnóstico: 

uno, enquanto feixe, eis que sou sempre múltiplo, plural... 

 

Sou pedaços vários de passados, 

Serei trechos mais sensíveis do hoje. 

Sou mosaico policromático e multidinâmico. 

Daí ser rebelde e polemista, é que minha luta jamais foi desiludida. 

A plêiade que carrego, são meus “eus”, minha consciência estendida. 

 

Dialético, em movimento constante ainda que parado. 

Repouso o corpo para a mente entrar de plantão. 

E então letras, palavras, visões e pensamentos mil desfilam sob minha retina 

ainda por detrás da cerrada cortina. 

Mas, além de ver, quero também tudo enxergar, pois não! 

 

Lanço meu olhar sobre meu interior e, então, 

assim, enxergo-me enfim. 

Sou feito assim! 

 

Olao (Bsb, Abril/2001 - 3:10h)