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Nenhum receio de desagradar autoridades e poderosos deterá o advogado em sua missão pública.

Antes de tudo, devo dizer que, convocado que fui, presto este depoimento também por dever ético-legal enquanto advogado (art. 2º, II, V, Cód. de Ética e Lei dos Advogados, art. 33) mesmo que isto possa causar-me ainda mais transtornos, ameaças e dificuldades em meu exercício profissional.

Muitos podiam, mas não quiseram evitar este escândalo judicial que tanto dano causou a uma indefesa criança; porém eu posso, devo e quero, pelo menos, tirá-lo da escuridão conveniente e provar as graves denúncias que desde 1992 venho fazendo, visando restaurar a moralidade e a justiça neste processo de inventário riquíssimo.

Faço este depoimento, também, em homenagem aos magistrados brasileiros, aos membros do Ministério Público e aos dos advogados do Brasil que em sua esmagadora maioria não merecem ser conspurcados por aqueles que não souberam dignificar a toga e a beca.

Se inconstitucional ou constitucional esta CPI, ainda não pude debruçar-me, como advogado e professor de Direito há mais de 20 anos, sobre tal questão, mas tenho desde já uma convicção inabalável: esta CPI demonstrou-se mais que necessária, essencial ao aperfeiçoamento de nosso Estado Democrático de Direito. Eis que o Direito e a Política existem não como fins, mas como instrumentos a serviço do nosso progresso social. Por outro lado, diga-se de passagem, a Federação brasileira delegou aos senadores a representação de seus interesses e, não é lícito acreditar-se que seja do interesse de qualquer unidade da federação esconder tais fatos tão graves. Respondo agora aos Senhores Senadores.

Brasília, 20.5.99.