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A Justiça e seus profissionais ultimamente têm sofrido desgastes em seu prestígio social. Mas, se as falhas profissionais exigem a certeza da reta e firme punição, a instituição e o valor justiça precisam ser preservados e isto é função precípua da OAB e responsabilidade cívica dos formadores de opinião.

Muitos dos desgastes que o imediatismo sensacionalista provoca, não são falhas dos profissionais, mas das leis e da cultura cívica nacionais.

A propósito, aprendamos com Montesquieu: Quando vou a um país, não examino se há boas leis, mas se as que lá existem são executadas, pois boas leis há por toda parte. Séculos após Montesquieu e Rousseau, é estarrecedor, por exemplo, que na democracia brasileira e em plena Capital da República, uma juíza federal tenha que ordenar a prisão de autoridade federal para fazer cumprir sua desarmada autoridade (que encarna a do Poder Judiciário e a da própria justiça). E o que é mais triste, os próprios legisladores federais vêm a público defender o indefensável.

Seria ruim a lei invocada pelo vencedor daquela demanda judicial? Desta espécie de leis temos e muitos, e o que pode fazer um juiz diante disto, senão aplicá-la e debitar os malefícios aos legisladores que a criaram ou a mantiveram? O Brasil precisa ser acordado de seu pesadelo, de sua generalizada crise ética e isto não se fará desautorizando gratuitamente os homens do direito que constituem aquela derradeira reserva de justiça. É o Estado que deve se submeter ao Direito e não o inverso. Com efeito, o Estado de Direito pressupõe uma crescente consciência jurídica de todos, mas principalmente dos homens de governo. O juiz não é nomeado para fazer favores com a justiça, mas para julgar segundo as leis(Platão). Vêm daí as seculares garantias de magistratura e as prerrogativas do advogado. Eis a nova bandeira da OAB e de cada um dos advogados em nossos dias.